sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

deixei meu coração no Egito


(as bolinhas vermelhas são os lugares que fui!!)

Nunca vou esquecer do dia em que cheguei em Alexandria.
Eu prometi a mim mesma não criar nenhuma expectativa sobre essa viagem, pois estas podem sempre ser frustradas. Sabia que ia ser muito, mas muito diferente, então me agarrei nisso e deixei acontecer.
Depois de quase três dias em aeroportos, uma manhã gelada na frente da estação de trem do Cairo esperando que o meu chegasse, e de mais de 2 horas tentando dormir num trem frio e apertado, cheguei a uma das partes mais pobres de Alex.
Lembro de ter olhado pela janela e visto todas aquelas casas da mesma cor amontoadas, com tantas roupas penduradas pelas janelas, todo aquele lixo no chão, e pensei 'meu Deeeeus, aonde eu vim parar??'
Desci na estação super perdida, procurando um cara que eu nunca tinha visto ao vivo e que devia me encontar ... ai ele foi me levando pela cidade e a gente finalmente chegou perto do mar. Foi ai que eu quase chorei, mas de alívio. Tudo ia ficar bem.
Ontem, 2 meses depois, deixei a cidade com os olhos enxarcados.
Nos meus primeiros dias lá, quando eu olhava os prédios na Cornish (no Brasil seria a Av. Beira Mar) achava tudo muito velho, sujo e praticamente sem cor. Hoje eu vejo em Alex tantas cores quando há nos scarfs que vendem nas ruas e nos bazares.
Eu tinha pavor do trânsito e levei quase meia hora pra atravessar a rua no 1º dia. Hoje passo tranquila no meio dos carros, como se todos estivessem parados e não housse perigo algum.
Morria de raiva por não conseguir me comunicar, não entender o que me diziam e não ter idéia do que estava escrito. Hoje eu aaaaamo o idioma, sou apaixonada pela língua e posso não saber falar, mas entendo o que se passa na conversa e me viro o suficiente pra ir aonde quero e barganhar. Esses dias inclusive enganei um vendedor perguntando o preço em árabe hahaha To indo embora muito triste de não ter aprendido o idioma =/ mas tenho 2 palavras preferias, Aywa e Arabeya!
Tentaram me passar a pernas com o preço das coisas diversas vezes, mas se no começo não comprava por ser pão dura, hoje eu dou meu preço e levo o que quero.
Tinha medo dos caras nas ruas e ficava chateada quando mechiam comigo. Agora, só chingo de volta e passo reto.
Quando ia a bazares ou street markets, era educada com todos os que me chamavam para mostrar seu trabalho e torravam meu tempo e paciência. Hoje passo por todos sem ouvir uma palavra.
Eu levava o maior susto quando via mulheres de burca e tinha a maior curiosidade a respeito do hijab e do pensamento dessas mulheres. Não conseguia aceitar o véu, não conseguia ver a mulher que havia por trás, somente esse. Aprendi a ter o maior respeito, a ver o rosto de cada uma delas e tentar adivinhar sua personalidade. Aprendi a ver a beleza atrás do véu, pro trás de sua história, sua bagagem, seu peso. Agora até gosto de alguns hahah e tenho até o meu jeito preferido que elas usam.
Toda sexta feira acordada irritada, chingando horrores o cara que chama para as orações (eu morava de frente prum lugar de reza, imagina!!). Mas já estou tão acostumada que as vezes nem ouço mais e acho é lindo o respeito de todos aqueles homens ajoelhados no meio da rua diante de seu deus.
Aprendi a amar cada pedacinho da cidade, seus cheiros, sua história, suas pessoas. Queria conhecer cada uma delas, ouvir sua história, tomar de seu chá.
E assim todo o Egito. Tive a oportunidade de viajar por quase todo o país, conhecendo os pontos turísticos mais famosos, deixando só alguns de fora. Conheci o deserto, conheci oasis, o Mediterrâneo, o Mar Vermelho, o Rio Nilo, os beduínos, os ricos, os pobres, as cozinhas, os bazares.
Hoje meu coração bate tão apertado quando penso que tudo isso já não é mais minha realidade.
Doí mais ainda quando vejo a situação de lá neste exato momento e que sem querer, fugi correndo. Realidade difícil que senti nos ares por todos os lugares que passei. E entendo a dor do povo.
Meu coração quase para quando penso em todos os meus amigos tão queridos e especiais que deixei lá e que estão passando por tudo isso. Me dói pensar que as coisas que conheci podem mudar tão depressa.
Mas meu coração bate pelo melhor desse país, desse povo, dessa nação.
Fui embora sentindo que não vivi tudo o que se tem para viver lá, que na verdade não conheci é nada e que o Egito ainda me esconde muitos mistérios.
Esses dois meses vão ficar na minha memória, junto com cada lugar, cada pessoa, cada momento inesquecível que tive.
Posso falar de tudo, mas meu amor por esse lugar ainda não estará todo escrito aqui.
E o mais engraçado é que se 2 meses antes de eu embarcar alguém tivesse me dito que eu iria pro Egito, eu ia rir e dizer 'aaah va'!!
Eu nunca tinha pensado em conhecer o país e mesmo quando já tinha essa certeza em mente, nunca esperei me apaixonar tanto!!
E se tivesse feito expectativas, as teria superado mil!! hahaha